Palavras ao Vento - Cap 60

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Palavras ao Vento - Cap 60

Mensagem  Fernanda em Sab Mar 20, 2010 12:55 am

Capítulo 60



- Você quer que eu vá embora? - perguntou Isa firmemente. – Eu sei que você não confia em mim, e vou ter que te reconquistar a cada dia, como antes. Não sei se você vai querer isso, nem mesmo se ainda sente algo por mim, mas a única coisa que eu sei é que eu te amo. No dia do seu acidente, eu te magoei, não foi traição, acredite! Eu tinha decidido fazer amor contigo, mas você não quis, queria que fosse especial como eu sonhava. Achei que você não estava me querendo... fui egoísta, não pensei em você, que queria que fosse especial para você também. Sinto-me culpada pelo seu acidente, se eu não tivesse te enchido tanto, não teria ido embora daquela maneira.





Julia a ouvia atentamente, absorvendo cada palavra daquela mulher que lhe falava de seu amor, de sua dor. Ao ver Isa já não contendo o sofrimento e as lágrimas, pediu:



– Isabel olha para mim! Não fique assim, não foi culpa sua. Eu não sei nada de nós, não sei nada de você, mas vi em seus olhos que posso confiar em ti. Poderia ter omitido o que ocorreu, entretanto foi muito sincera e agradeço por isso! Eu não sei o que eu sinto por você no momento, eu gosto de estar contigo, e confesso que senti um ciúme doido ao ver a Alexia te paquerando. Não me lembro de ter me sentindo assim antes. Tenho feito tanta força para me lembrar de você, que nem imagina! Isso é o que quero que saiba. E não se torture mais, estou aqui viva, meio esquecidinha, mas bem.



Isa sentiu que aquele peso que carregava desde o acidente diminuiu ao saber que Julia não a culpava. Para ela aconteceu porque tinha que acontecer. Por essa razão, um leve sorriso de agradecimento se desenhou em seu rosto, que foi afagado por Julia. Isa sentiu-se no céu, pois foi a primeira vez que Julia lhe fez um carinho depois do acidente.



- Vou confessar mais uma coisa - disse Julia. – Quando disse que iria embora assim que retornasse da lanchonete, eu tratei de dispensar minhas amigas, com a desculpa que estava cansada. Queria que quando voltasse não tivesse mais ninguém aqui... desculpa por não te apresentar a elas.



- Não se preocupe, mas eu estava de olho nelas... aquela loirinha era bem atrevida, e não gostei dela; aquela outra loira de olhos verdes, ficava pondo muito a mão em você, não podia conversar sem ficar te tocando, essa eu odiei... resumindo: não gostei de nenhuma, e já estava a ponto de partir para cima da próxima que ousasse falar algo em seu ouvido novamente - falou seriamente Isa, antes de cair na gargalhada. Voltou a ficar séria, e acrescentou: - reconheço que na hora, não foi nada divertido - revelou Isa. – Precisei ter muito autocontrole, coisa que nunca tive, sempre brigávamos por isso.





Julia gostava desse jeitinho de Isa se expressar. Queria absorver tudo o que ela falasse. Seus olhos azuis se perdiam nos verdes de Isa, tentando encontrar uma lembrança, até essas briguinhas de ciúmes que ela dizia que tiveram. “Como eu não dormi com ela até agora”, se questionou.





- Julia pode me perguntar o que quiser. Não vou me chatear de responder.





- Perguntarei - respondeu Julia. – Posso te pedir uma coisa?



- Claro. Diga que se for possível, eu farei - e ficou esperando o pedido de seu amor.



- Me ajuda a sair dessa cama? Quero tomar um banho.



- Claro. Onde estão suas coisas?



Ela apontou para o lugar. Enquanto se sentava na beirada da cama. Sentiu uma forte tontura, que a fez segurar-se na cama.



- Isabel, acho que não vou conseguir ir.



- Quer deitar novamente? - indagou voltando para perto de Julia.



- Não. Quero ir. Me de sua mão.



Isa estendeu a mão e Julia pegou. Sentiu um imenso carinho ao segurá-la. Sabia que Isa não a deixaria cair. Ela desceu e ficou mais uns instantes de pé, pois seu mundo não parava de rodar.



- Julia consegue calçar os chinelos? - perguntou Isa vendo que ela não parecia bem.



- Acho que não, se eu olhar para baixo, aí sim que eu rodo mais ainda.



Isa largou a mão de Julia e se agachou para ajudá-la a calçar o chinelo. Em seguida levantou-se e pegou novamente na mão de Julia.

- Está pronta? Se apóie em mim.





Julia passou o braço sobre os ombros de Isa sem soltar a mão dela e conseguiu dar os primeiros passos rumo ao seu objetivo, que era o banheiro.



Com muito sacrifício de ambas, conseguiram chegar ao seu destino.



- Julia segure na pia. Promete que não vai cair? Vou pegar as suas coisas no quarto, e já volto.



- Prometo! - respondeu Julia, mas já arrependida de ter saído de sua cama. Ainda não tinha condições, mas como sempre, queria bancar a durona mas viu que não era tudo isso.

Enfim estava lá e iria tomar seu banho. E olhou para o espelho em sua frente, estava horrível, inchada, com um enorme curativo na cabeça, pálida, com vários cortes pelo rosto, alguns já cicatrizados, e sentiu-se muito feia. Virou-se, sem conseguir manter o olhar por mais tempo.



- Julia o que foi?



- Nada! Estou horrível.



- Está linda! - respondeu Isa tocando o rosto de Julia. - Quer que eu chame a enfermeira para te ajudar agora?



- Você vai ficar constrangida de me ver como eu vim ao mundo? - perguntou Julia, sentindo medo da resposta. Queria que ela ficasse, embora não estivesse pensando em nada além de tomar banho, estava exausta.



- Não. Posso te ajudar. Prometo não olhar muito - respondeu Isa, tentando esconder seu nervosismo.



Não foi assim que sonhou ver seu amor, sem poder tocá-la e ser tocada.



- Nem tenha pensamentos proibidos, Isabel! Estou sentindo uma coisa agora...



- O que Julia? Não vá desmaiar aqui, que eu não vou aguentar contigo. Só vou proteger sua cabeça...



- Estou bem. Calma! É que estou sendo tomada por uma vergonha - entregou tímida.



- Desde quando eu sinto vergonha em ficar nua diante de uma mulher? Senhorita, o que você fez comigo?



- Eu não fiz nada. Pensando bem... fiz uns feitiços, gastei uma grana pra te amarrar.



- Você não sabe que se contar para a pessoa o feitiço acaba? - advertiu Julia enquanto Isa abria a torneira do chuveiro. Quando se virou, deparou com Julia totalmente nua.



Foi inevitável não olhá-la dos pés à cabeça. Ficou boquiaberta ao ver tanta beleza! Quanto sonhou em ver aquele corpo.



- Desculpa Julia, não resisti.



Julia sorriu ao ver o desejo de Isabel saltando por seus olhos e o constrangimento que veio a seguir.



- Acho que seu feitiço ainda não acabou Isabel - disse Julia omitindo o fato de ter sentindo um calor percorrendo seu corpo todo. Isa pegou sua mão e a levou até o chuveiro, deixando-a lá.





- Julia vou ficar aqui do lado de fora, quando acabar me chame para eu te ajudar a se vestir.



- Tudo bem - concordou Julia continuando a se banhar, deixando a água cair sobre seu rosto, escorrendo pelo corpo. Notou seu emagrecimento, e a visão de Isa olhando-a não lhe saia da cabeça. “Mesmo eu estando assim, horrível, ela ainda me acha linda. Ela me atrai, ah se eu não estivesse assim... Como pude esquecer dela? Não é justo. Lembro de pessoas, que não tem importância alguma pra mim, sem contar que to sentindo uma atração incontrolável por ela. Acalme-se Julia”, abriu mais a torneira deixando a água quase fria, para esfriar seus desejos.





Isa continuava maravilhada com o corpo de Julia, era perfeito. “É mais lindo do que eu imaginava, o que perdi por tanto tempo me fazendo de difícil? Agora só Deus sabe se poderei tocar seu corpo”, uma agonia começou a tomar conta de seu ser. “Será que vou conseguir conquistá-la novamente? Ela esqueceu de nosso amor, ela até pode sentir atração por mim... Deus eu quero meu amor de volta”, a voz de Julia tirou-a de seus devaneios.



- Isabel pode vir agora.



Isa suspirou profundamente antes de entrar. “Não vou aguentar vê-la nua novamente”, pensou, mas na realidade era tudo o que mais queria... entrou e Julia estava sentada na cadeira de banho com a toalha nas costas.



- Isabel me ajude! Não estou conseguindo me enxugar, e estou com muita tontura... to me sentindo muito mal.



Isa imediatamente tirou a toalha dos ombros dela puxou mais a cadeira para perto de si, e começou a secá-la. Não se prolongou muito, pois viu no rosto de Julia, que não estava bem, a ajudou colocar a calcinha e o roupão da clinica.



- Senta meu amor, vamos de cadeira mesmo até sua cama.



Julia não respondeu nada, e Isa começou a se preocupar. Levou-a imediatamente para o quarto, e apertou a campainha chamando as enfermeiras. Não teria como colocar Julia na cama novamente.



As enfermeiras chegaram um segundo depois, e encontram Julia quase desmaiada na cadeira de banho. A colocaram na cama com a ajuda de Isa, que estava segurando o choro, pois estava desesperada.



- O que aconteceu? - perguntou uma das enfermeiras. - Chamem a Dra. Alexia - gritou a enfermeira que interrogava Isa.



- A Dra Alexia a deixou se levantar um pouco, e ela quis tomar banho, a levei até o banheiro e deixei ela tomando banho. Ela é teimosa, acha que aguenta tudo. Estava com muita tontura - enquanto Isa relatava o que tinha se passado, a enfermeira ia verificando a pressão arterial de Julia.





Julia segurava forte a mão de Isa, sem tirar os olhos dela. Isa se aproximou mais da cama, mas tentou ficar longe da visão de Julia, porém, ela virou um pouco o pescoço para continuar a olhar para Isa.

Capitulo 60



Dra. Alexia chega e começa a examinar Julia, que precisou voltar à sua posição inicial, para melhor ser examinada por sua médica, sem soltar a mão de Isa um segundo sequer. Sua quietude não era normal. Isa encostou-se à grade da cama e ficou mexendo no cabelo de seu amor, tentando não demonstrar a aflição que sentia ao vê-la naquela apatia.

Fernanda
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