Palavras ao vento - Cap. 57

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Palavras ao vento - Cap. 57

Mensagem  Nanda em Sex Jan 01, 2010 6:24 am

CAPÍTULO 57

Isa retornou para a sala de espera, que já estava quase vazia. A
notícia sobre a melhora de Julia, foi um alento para todos os seus
amigos e amigas. A maioria deles nem conhecia, só distinguia melhor
os funcionários da Clínica que, comentavam sobre o acidente da Dra.
Julia por todos os lugares.
Cansada, parou em frente à porta que levava para a U. T. I, revelando
o desejo claro de voltar para o lado de sua namorada. Deu as costas
para a porta de vidro e procurou um olhar conhecido, entre aqueles
poucos que a observavam, mas não encontrou. Vanessa tinha ido para
casa com sua família.
Sentou-se no sofá ao lado de duas mulheres, com certeza um casal,
pois estavam sempre de mãos dadas, carinhosa uma com a outra. O
aperto em seu coração a fez sentir medo ao imaginar a possibilidade
de não viver isso com Julia. Optou tantas vezes por brigar com Júlia,
ao invés de curtir cada instante com ela.
- Oi - cumprimentou uma delas.

Isa não estava a fim de conversar com ninguém, já que sua vontade se
resumia a ouvir seus pensamentos. Mas refletiu melhor e olhou para
ver o que a pessoa queria.

- Oi - foi a resposta seca.

- Você também é amiga da Julia? - foi a indagação. - Estávamos
notando o seu sofrimento, que parece bem maior do que o de todos
nós. Você estava com ela na hora do acidente?

- Não sou amiga da Júlia, e sim a namorada dela. Ela tinha me
deixando em casa e estava indo para a dela, quando o acidente
aconteceu.
- Há quanto tempo vocês namoram? - questionou intrigada a outra
mulher que apenas ouvia a conversa entre elas. – É que nossa amiga
não é de namorar - explicou.

Era uma ruiva muito bonita, de olhos verdes, cabelos cacheados e
longos, até lembrava a Julia Roberts no filme Tudo por amor.
Isa notou a beleza da mulher ao dar atenção a ela, mas se controlou
para não ser grosseira com o casal, que a olhava com o mesmo olhar
de todas as amigas e exs. Uma afirmação unânime de que ela não era
o tipo que Julia namoraria.

- Voltamos a namorar esta semana.

- Ah tá! - disse à morena que iniciou a conversa. Não era tão bonita
quanto à outra.

- E vocês, quem são? - perguntou Isa.

- Fui um rolinho de Julia há três anos atrás - entregou a ruiva. –
Julia nos apresentou, e ao colocar os olhos nessa moça aqui, fiquei
completamente apaixonada - confessou a ruiva tocando o braço da
morena.

- Amor, ainda não acredito que você deixou a Julia para ficar comigo -
disse a morena afagando a mão da outra.
Novamente Isa sentiu uma pontada de remorso, ao ver o olhar de
amor trocado por elas. Podia ter dado mais atenção a esses momentos
de pura cumplicidade com Julia, mas estava preocupada demais com
besteiras.
Outra vez, a insegurança falou forte em seu coração, e o ciúme por
encontrar mais uma mulher que tinha dormido com Julia, a visitou.
Sentiu-se uma completa imbecil. Esse era um problema grave que
precisava resolver. Quando Julia ficasse bem, não poderia ter mais
essas crises bobas de ciúmes, ainda mais do passado. Era necessário
fazer tudo diferente.
As mulheres se despediram e foram embora.


Ao meio dia, uma mulher muito chique chegou, acompanhada com
por mais quatro pessoas. Sem delongas, foram atendidos.
Acompanhou a bela senhora, de estatura mediana, cabelos
encaracolados, olhos azuis, e uma voz parecida com a de Julia ser
prontamente encaminhada. A distinção no tratamento não deixou
dúvidas
“Certamente é a mãe da Ju”, concluiu pensativa.
Não conhecia ninguém da família de Julia. Em seu apartamento, ela
mantinha apenas retratos com amigos e amigas, com o Julio, e outros
do tempo em que era surfista. Tinha apenas um, que ficava afastado
dos outros. Nesse Julia estava na praia, ao lado de um rapaz.
As lembranças se formaram em sua mente. De imediato, o rosto do
rapaz que aparecia sempre para lhe dar conselhos, se formou. Isso fez
seu corpo ser tomado por um calor intenso. Julia tinha perdido um
irmão, e seu nome era Lucas, o mesmo nome do rapaz com quem
conversara horas atrás.
“Não pode ser”, disse a si mesma, na esperança de conter o tremor em
seu interior.
“Isso é impossível, meu Deus!”, tomou um gole de água.
“Preciso me acalmar”, pensou balançando levemente a cabeça, na
tentativa de fazer com que os pensamentos se esvaíssem.
“Ó céus, só me falta agora ficar fantasiando”, recriminou-se.
“Minha fé me diz que não é impossível, mas nesse momento, deve ser
apenas preocupação em demasia com meu amor. É isso!” reafirmou
para si mesma.

Ainda atordoada voltou a se sentar. Viu quando a provável mãe de
Julia saiu com seus acompanhantes e junto a eles, três médicos que
conversavam com aquela senhora de andar elegante e firme.
“Impressionante! Como a voz é tão parecida”, fechou os olhos e
imaginou Julia.
Quando não ouviu mais a voz, seus olhos se abriram lentamente e
encontrou somente o silêncio naquela sala. Algumas pessoas
permaneciam sentadas ali, cada uma em sua quietude, mas não
conheciam Julia, e dos que conheciam a doutora, só ela permanecia
ali.
Continuou seguindo aquelas pessoas com o olhar até entrarem em
um consultório.

O cansaço a fez fechar os olhos por alguns instantes. Acabou
dormindo umas duas horinhas. Acordou com seu celular tocando,
interrompendo o sonho que estava tendo com Julia. Abriu os olhos,
tendo no rosto um lindo sorriso, que desapareceu no momento em
que percebeu onde estava. Resignada atendeu o celular.
- Alô.
- Filha!
- Oi, mãe.
- Filha, como você está? Acabamos chegar do cartório. A Mari me
pediu para ficar em seu lugar como madrinha. E a Julia, como está?
- Estou mais ou menos. A Julia melhorou um pouco. E como foi o
casamento, o Matheus disse sim?
- Claro que sim, por que? - perguntou a mãe intrigada.
- Nada. É que ele é meio doido.
- Filha por que você não vem para casa? Não adianta ficar ai.
- Não - foi categórica em sua resposta.
- Tudo bem então, filha - aceitou sem lutar contra.

Horas se passaram e a mãe de Julia continuava ainda na clínica. De
vez enquanto, entrava para ver a filha. Em uma destas entradas,
deparou-se com uma mulher ao lado de Julia.
Isa sentindo-se observada, olhou para o vidro da sala da UTI, e os
olhares se cruzaram através dele. Não sabia o que fazer, se ficava até o
termino dos cinco minutos que tinham sido concedidos a ela, ou não.
Decidiu não sair. Sabia que com essa atitude poderia estar ganhando
uma grande inimiga, uma vez que a imponente senhora não aceitava
a condição da filha.

Os olhos azuis permaneceram lá fora, fuzilando-a.
Cansada de ser sempre a certinha, não deu a mínima atenção para os
olhares mortais de sua sogrinha.
Esgotado seu tempo, dirigiu-se à saída. Antes porém, depositou um
terno beijo nos lábios de seu amor. Já que tudo estava perdido, que
se perdesse ainda mais. O beijo não foi com a intenção de provocar,
mas para a mãe saber que ela era alguém importante na vida da filha
dela.

- Você não me viu aqui fora? - perguntou rispidamente a mulher, já
devidamente vestida para entrar na sala.
- Eu vi sim, mas eu estava pacientemente lá fora, aguardando a
minha vez de entrar. Sei que pode vê-la quando quiser, por isso lhe
pergunto, o que são cinco minutos para a senhora esperar? Por favor,
não crie confusão por causa disso. Fiquei o tempo que me
autorizaram. E agora é hora da visita, não estou burlando nada do
que eu não tenha direito - disse em voz firme.
Olhando-a nos olhos, aguardou uma resposta da elegante mulher.
Essa porém, não disse absolutamente nada, apenas a fitava
enigmaticamente.
Isa então, começou a caminhar com passos firmes, sem olhar para
trás. A cada passo que dava não acreditava no que tinha feito. Estava
orgulhosa de si mesma por ter sido firme com aquela que julgava ser
a mãe de Julia.

Isa resolveu ir embora, pois sabia que não poderia entrar mais
naquele dia. Olhou para o relógio e viu que estava quase na hora do
casamento de Mari. Mesmo não estando com a roupa
apropriada, decidiu ir. Ficaria escondida no fundo da igreja.
Não poderia deixar de estar com sua melhor amiga em seu momento
mais feliz. E sem perder tempo, pegou o primeiro ônibus que viu em
sua frente. Estava sem dinheiro para pegar um táxi, mas chegaria lá
do mesmo jeito, talvez no meio da cerimônia, mas chegaria.


Continua.

Nanda
Convidado


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Mensagem  Camila em Qua Jan 06, 2010 12:15 pm

Nossa to amando cada vez mais sua história e o site ta lindo e muito mais fácil de localizar as histórias
mais do q parabéns

Camila
kamyllars@gmail.com

Camila
Convidado


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