Nova Fic Clássica - Revelando a Verdade - Cap 1

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Nova Fic Clássica - Revelando a Verdade - Cap 1

Mensagem  Nanda em Sex Jan 01, 2010 6:13 am

Revelando a Verdade

de Fernanda

rennight@hotmail.com



Há dias que Gabrielle andava extremamente calada. Era possível que fosse
por causa da morte de seu marido. Nem fome tinha. Xena apesar de notar as
mudanças de sua amiga, achou melhor não perguntar nada, por enquanto.
Estava concentrada em seus afazeres e pensamentos, quando ouviu a voz
doce de Gabrielle preencher-lhe e audição.
- Xena, tenho tido uns sonhos com a Callisto, e estou começando acreditar
no que ela diz nos meus sonhos.
- Gabrielle, não acredito que você vai dar atenção a sonhos, ainda mais se a
Callisto está no meio. Esquece isso.
- Não posso esquecer, Xena, se diz respeito a mim.
- Então me conte o que Callisto está inventando agora para você acreditar.
É por isso que mal fala comigo há semanas, e nem me olha nos olhos como
antes.
- Xena, por que você não salvou Pérdigas?
Xena sentiu seu estômago revirar. Sabia muito bem porque não tinha feito
nada para salvar Pérdigas. Bastava lançar seu chacram contra a espada de
callisto, mas não o fez.
- Porque eu estava preocupada contigo, não queria que ela te matasse.
- Xena, você poderia ter lançado o Chacram, e ter me salvado. Eu não
entendo!
- Fiquei com medo de errar e acertar em você. Eu tinha dormido pouco à
noite, estava muito... - não continuou a frase.
- Xena, sei que pode passar dias acordada, que não erra o alvo - afirmou
segura. – Acho que você ficou feliz por ele ter morrido, assim eu teria que
continuar ao seu lado.
Foi o único gesto bom que callisto fez na vida, pois não suportaria ficar sem
Gabrielle.
A noite de sua lua de mel foi um verdadeiro martírio para seu coração
atormentado. Sua vontade era ir atrás dela e arrancá-la dos braços do
marido. Seus pensamentos digladiando-se em sua mente quase a mataram.
Saber que ele seria o primeiro de Gabrielle, que tocaria seu amor, beijaria
aquela boca que deveria ser apenas beijada por ela, a paralisaram. De fato,
não moveu um dedo sequer para salvá-lo. E não se arrependeu.
Gabrielle não conseguiu acreditar em Xena, pela primeira vez Callisto estava
com a razão. Aprendera a decifrar Xena através de seu olhar, e neles viu
que ela estava mentindo.
- Enquanto você não for honesta comigo, não poderei continuar ao seu lado
- disse Gabrielle já arrumando suas coisas.
Em sua convivência com Xena aprendeu algumas coisas, entre essas, calcular
a distancia e o tempo necessário para se fazer uma viagem. Sabia que se
andasse rápido, conseguiria chegar na casa de seus pais antes do anoitecer.
Era o que refletia enquanto colocava seus pergaminhos na bolsa.
- Você não pode me deixar, Gabrielle, falei a verdade, eu não fiquei feliz
com a morte dele. Sabia que seria feliz com ele, que eu teria que seguir
sozinha, e jurei para mim que nunca mais iria te procurar. Quando a saudade
ficasse insuportável, me restaria o consolo de poder te ver de longe.
As palavras de Xena foram incapazes de convencer Gabrielle, que não
conseguia admitir o fato dela não ter feito nada.
- Preciso de um tempo para te perdoar, Xena. Sei que você não vai me
dizer o que saber, por isso estou indo para a casa de meus pais. Quando
tiver coragem para me dizer a verdade, sabe onde me encontrar - disse
tentando conter as lágrimas, pois não queria parecer fraca naquele
momento.
- Quer mesmo saber a minha verdade, Gabrielle, o por que deixei Callisto
matar Pérdigas? Foi por ciúmes - confessou. – Só assim você continuaria na
estrada comigo.
- Eu sabia que você era egoísta, mas não a este ponto. Como sempre,
pensando em si própria, não é Xena? Deve ter pensado que a tonta aqui
nunca pensaria isto - entregou em pura revolta. – Não sei quem mais odeio,
se Callisto ou você.
Xena tentou se aproximar, mas Gabrielle a afastou. Sem se conter, começou
a chorar.
- Gabi, eu sem você só faço besteiras. Sei que pensei só em mim naquele
momento, mas foi porque te amo. Não mais como amiga, e sim como
mulher - rapidamente se aproximou, sem dar chance de ação à Gabrielle, e
a envolveu em seus braços.
Já que tudo estava perdido, seu desespero a fez agir até as ultimas
conseqüências.
- Eu te amo Gabi - repetia insistentemente.
As palavras cessaram quando seus lábios buscaram o contato imediato com os
lábios de sua amada. A Guerreira que travara tantas batalhas contra os mais
cruéis inimigos, se rendia desesperada à necessidade insana de sentir
naqueles lábios, o sabor da vida e do amor.

Gabrielle no início não se deixou envolver, mas aos poucos foi se
entregando, e acabou rendida ao beijo de Xena.
Quando o beijo cessou, a Guerreira abriu os olhos e fitou Gabi. Nos olhares
de seus inimigos sentia um prazer descomunal ao contemplar o ódio e o
medo, mas perceber que nada tinha mudado naqueles lindos olhos verdes,
fez seu coração experimentar uma dor nunca antes sentida.

- Xena não posso retribuir esse sentimento, porque eu amo Pérdigas. Agora
fica mais difícil seguir ao seu lado, mas obrigada por me contar a verdade.

- Não vou te segurar mais ao meu lado. Vá embora, se é o que deseja.
Ninguém nesta vida vai te amar como eu, nenhum homem te fará feliz,
como eu faria. É melhor mesmo você ir. Cheguei a pensar que estivesse
mais madura, mas me enganei, ainda continua a mesma garotinha de sempre
- enquanto falava, foi recolhendo suas coisas e colocando no Argo. Pegou sua
espada, seu chacram e montou em seu cavalo. – Não vou perder mais meu
tempo te explicando nada, já sabe a verdade, e não me sinto culpada. Saiba
que faria tudo igual. Quando a gente ama, sempre se torna egoísta. Tenha
uma boa vida Gabrielle - olhou uma ultima vez para ela e partiu com Argo a
todo galope, deixando sua amada para trás, no fundo sabia que poderia ser
rejeitada.




“Como nunca percebi os sentimentos de Xena? Por que ela não deixou eu
perceber... ou será que deixou? Talvez eu é quem não quis ver. Parou de
tomar banho comigo, me protegia de forma excessiva, o mal humor que
ficava sempre que me via conversando com algum rapaz. Sou uma completa
idiota mesmo, eu teria falado com ela para não nutrir nenhum sentimento,
exceto o de amizade para comigo. Diria claramente que sempre tinha
esperado por um príncipe e não uma princesa guerreira. Basta. Chega de
pensar”, balançou a cabeça de forma irritada, mas em vão, já que um ultimo
pensamento a invadiu de cheio.
“Mas correspondi ao beijo dela...”, voltou à realidade ao ouvir um barulho
atrás de si. De imediato se colocou em posição de ataque, segurando firme
seu cajado, pronta para usá-lo.
- Quem está ai? - perguntou amedrontada.
- Sou eu - a voz forte respondeu.
- Eu quem?
- Eu, Joxer o Poderoso! - tratou de se apresentar rapidamente, antes que a
pequena mulher o atacasse com seu cajado. – Acalme-se Gabi. Estava te
seguindo, mas acabei não vendo um buraco e cai dentro.
- Por que está me seguindo?
- Porque eu vi você sozinha. Cadê a Xena, falando nisso?
- Eu não sei. Estou voltando para a casa de meus pais.
- Vocês brigaram?
- Não exatamente, mas acho que fui muito dura com ela. Esqueci de tudo
que fez por mim, de todas as vezes que me salvou. Recordo bem aquele dia
que queria matar a Callisto, eu a vi rezando por mim - começava a se
arrepender, ainda sentia vívido o beijo da guerreira em seus lábios.
- Gabi, o que foi?
- Não sei, senti um aperto no coração.
- Isso não é nada, deve ser fome. Tem uma taberna logo ali na frente, que
tal comermos alguma coisa?
- Não deve ser nada. Deve ser fome mesmo - conversaram mais um pouco,
mas aquela sensação ruim, não passava.
Já na taberna, eles saboreavam um guisado de frango e bebiam vinho. O
lugar estava repleto de guerreiros e camponeses.
- Gabi, posso ir com você para Potédia? Quem sabe precisem de um
guerreiro valente, bonitão... você sabe, né.
- Até poderia, mas não vou agora, preciso falar com Xena, pedir desculpa - o
som de sua voz foi abafado pela algazarra de alguns homens que adentraram
a taberna.
Os comentários aguçaram-lhe a audição, já que se tratava de Xena. Eles
afirmaram que a princesa guerreira estava ferida e dificilmente se salvaria.
Gabrielle ao ouvir isso, ficou desesperada.
- Joxer eu te falei que estava com um aperto no coração. Tenho que ir -
pegou sua bolsa e saiu correndo, trombando nos homens que estavam junto à
porta.
Gabrielle seguiu a direção em que Xena a tinha deixado. Pediu carona a um
carroceiro que passava pela estrada.
- Foi muita sorte minha o senhor estar passando por aqui. Obrigad00.
Xena estava com o Argo, e já deveria estar longe. Por mais que corresse,
demoraria a encontrá-la.
- Senhor, pode ir mais rápido? Minha amiga foi ferida e tenho que
encontrá-la - suplicou ao carroceiro.
Gabrielle seguia olhando por todos os lados para ver se encontrava Xena. Ela
estava indefesa, e qualquer um podia matá-la. Mesmo morta valia muitos
dinares.
Alguns metros à frente, Gabi avistou Argo que parecia perdido.
- Aquele é o cavalo da minha amiga - disse para o homem, que tentou
chegar o mais rápido possível, onde o animal estava.
Gabrielle saltou da carroça, agradeceu ao bom homem que lhe desejou
sorte, e foi até Argo perguntando por Xena. O cavalo relinchou, e entrou no
mato. Sabia que ele a conduziria até Xena, por isso o seguiu.
Cada segundo que passava a deixava mais nervosa. Se Xena morresse, nunca
se perdoaria, e nesse instante, recriminava-se por ter falado daquele jeito
com ela. Argo finalmente parou e relinchou.
Gabrielle estava um pouco distante, mas não hesitou em correr. Afastando
os pensamentos torturantes, clamou aos deuses para que Xena não estivesse
morta. Encontrou-a desacordada e ensangüentada.
Com o coração opresso pelo medo, se aproximou da guerreira. Agachou-se
ao lado da amiga e colocou o ouvido em seu peito para ver se o coração
batia. Para seu alivio, Xena estava viva.
Gabrielle olhou para os lados, não tinha como levar Xena dali. Fez uma
vistoria visual do lugar e percebeu que não estava muito longe do
acampamento das amazonas. Cobriu sua amiga com um cobertor e por cima,
colocou folhas para esconder a guerreira. Depositou um beijo no rosto de
Xena, subiu em Argo e saiu a toda velocidade.
- Amazona, cadê a Ephiny?
- Ela está na cabana da rainha.
- Obrigada.
Gabrielle entrou na cabana da rainha impetuosamente, e encontrou Ephiny
na cama com uma outra amazona.
- Ephiny, me desculpa não sabia... - tentou se desculpar, sentindo o rubor
em seu rosto.
- Gabrielle, o que está acontecendo?
- Xena foi ferida e não tenho como trazê-la para cá.
Gabrielle se virou para que as mulheres pudessem se vestir. Nunca tinha
visto duas mulheres juntas.
“Seria a mesma coisa que ficar com um homem? Apesar de não ter
acontecido nada na noite do meu casamento. Pérdigas e eu só trocamos uns
beijos mais quentes, e como estávamos muito cansados, acabamos
dormindo. Sou a única viúva virgem. Essas coisas só acontecem comigo! Não
tive nem coragem de falar para Xena, com certeza riria de mim”, pensava
consigo.
- Sol, escolha algumas amazonas para irem comigo e Gabrielle. Quanto a
você, quero que fique aqui tomando conta da aldeia.
- Tudo bem, vou chamar as amazonas. Só isto minha rainha?
- Só, obrigada.
- Gabrielle, como foi que Xena foi ferida? - perguntou no caminho.
- Eu não sei. Nós tivemos um desentendimento, e eu estava voltando para a
casa de meus pais. Ephiny, depois quero conversar com você sobre uma
coisa.
- Sobre o que você viu na minha cabana?
- Também, acho que faz parte.
Não tardou, Gabrielle apontou o local exato onde deixara Xena.
- Ela está perto daquela árvore - comunicou.

Ephiny fez sinal para as amazonas correrem. Elas chegaram ao local mas não
encontraram Xena. Os únicos vestígios de que a guerreira estivera ali, eram
o cobertor e suas armas.
- Cadê a Xena? - perguntou Gabrielle desesperada.
Ephiny ordenou às amazonas que procurassem por todos os lugares.
- Calma, Gabrielle! Vamos encontrá-la.
- Não posso ficar calma - falou sem conter as lágrimas. – Ela está muito
ferida.
Nesse instante, uma das amazonas gritou.
- Rainha a encontramos!
Ephiny e Gabrielle correram até onde Xena estava.
- Ephiny ela parece estar pior, deve ter acordado e não se sentiu segura
onde estava, por isso tentou se proteger dentro desta pequena gruta.
Ephiny ordenou que a colocassem na maca e em seguida na carroça.
Gabrielle fez questão de ir junto a Xena. Em todo o trajeto foi segurando a
mão da guerreira. Agora estava claro em seu coração que o medo que
sentia, era pela possibilidade de perdê-la para sempre. Isso não podia
acontecer.
Ao chegaram, a levaram direto para a cabana da rainha. Em seu interior
encontravam-se algumas amazonas e a curandeira.
- Por favor, salve-a! - suplicou Gabrielle para a senhora de cabelos brancos
como a neve.
- Eu vou tentar, mas depende dela também - respondeu a senhora, tocando
o rosto de Gabrielle. – Ela é muito importante para você, minha jovem?
- Ela é tudo para mim - respondeu com lágrimas nos olhos.
A senhora olhou para Ephiny, fazendo com que a amazona percebesse o que
queria, pois sabia como a curandeira agia.
- Amazonas, vamos deixar Xena com a curandeira. Ela precisa trabalhar
sossegada.
– Vamos! - carinhosa segurou no braço de Gabrielle.
- Eu quero ficar - comunicou Gabrielle.
- Vamos minha amiga, não podemos fazer nada. E você tem que estar
descansada quando Xena acordar.
- Tem razão, ela vai precisar de mim.
- Gabrielle, como está aqui tem o direito de assumir seu posto de rainha das
amazonas.
- Ephiny, não tenho cabeça para isso. Quero que continue rainha.
- Você me conhece, sabe que sigo as leis amazonas. E uma das leis rege que,
se a rainha por direito estiver na aldeia tem que assumir o seu posto
imediatamente.
- Ephiny olha só o meu estado, como posso ser rainha? Estou arrasada. Perdi
o meu marido dias atrás, tive uma discussão com Xena, e estava voltando
para a casa de meus pais. No caminho soube que ela estava ferida, e nem
mesmo sei se vai sobreviver. Não posso perdê-la. Estou muito confusa, hoje
aconteceu uma coisa entre nós - confessou tímida.
- Quer falar sobre isso, Gabi? - disse Ephiny notando que sua amiga estava
mesmo confusa.
- Agora não. Preciso pensar. Nesse momento, só quero tomar um banho e
tirar essa roupa - apontou as vestes, que estavam sujas com o sangue de
Xena.


Dois dias se passaram e Xena continuava em seu sono profundo. Gabrielle
assumiu a troca diária dos curativos, enquanto se questionava o porque Xena
se deixou ser ferida assim, e em nenhum deles encontrava uma justificativa
plausível.
Entre os cuidados assumidos, constava a higiene pessoal e o banho de leito,
que consistia em passar um pano úmido pelo corpo da guerreira. Já a tinha
visto nua muitas vezes, mas nunca tinha olhado profundamente para seu
corpo, como fazia nesse momento. Suas formas eram perfeitas, ainda
conservava o bronzeado de dias atrás, quando tinham ido pescar, e ela
ficara horas no sol à espreita dos melhores peixes.
Um desejo inexplicável de tocar o corpo de Xena tomou conta de seu ser
naquele instante. Não resistiu, e começou uma jornada perscrutadora pelo
belo corpo. Acariciou os braços longos e fortes, repetindo o movimento até
chegar ao ombro da guerreira. Espalmando a mão, deslizou até tocar-lhe a
mão, abrindo-a e descobrindo-lhe os vários calinhos adquiridos pelo hábito
de segurar a espada. Suavemente tocou-lhe a barriga, subindo cariciosa pela
extensão do abdômen, constatando que era duro feito pedra, definido por
tantos anos de luta.
Gabrielle sentiu algo estranho em seu corpo ao tocar o colo de sua amiga, e
como se acordasse de um transe, retirou imediatamente a mão que já estava
indo para os lindos seios de Xena.
“O que pensa que está fazendo, Gabrielle? Isso é loucura. Amo meu marido e
Xena é minha melhor amiga, é assim que gosto dela", tentou se convencer,
mas lembrou-se do beijo que lhe provocara uma sensação ainda maior que a
que sentia agora. Afastou-se rapidamente de Xena, cobrindo-a.
Deu-lhe um beijo no rosto, e saiu decidida a conversar com Ephiny.

-Ah Gabrielle, por que parou, disse Xena? - foi o questionamento feito a si
mesma.

Ao sentir aquela mão tão desejada tocando seu corpo de forma delicada e
prazerosa, Xena despertou. Somente quando Gabrielle saiu é que abriu os
olhos, deixando finalmente um suspiro escapar. Virou-se de lado e voltou a
dormir.

Continua...

Nanda
Convidado


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