Fic Traduzida - Salva-me - Cap 4

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Fic Traduzida - Salva-me - Cap 4

Mensagem  Fernanda em Ter Dez 01, 2009 2:52 am

Quarta Parte

"Suas doces mãos me envolve.
a sanidade me vigia.
Seus olhos claros, o único remédio para minha dor.
Só o seu amor poderá me Salvar
Salva-me..."

O som da chuva ressoava pelo quarto escuro devido a tempestade que caia
naquele momento, há três dias que estava assim, cada gota que escorria pelo
vidro da janela coincidiam com as lágrimas derramadas por duas pessoas, que
tinham sido enganadas tão vilmente por uma mente doentia.
O destino era assim, quando o amor bateu na porta de dois corações destinado a
salva-se mutuamente, uma mente macabra os confina ao sofrimento e à
separação.
Depois que a porta foi fechada em sua cara, Luciana recolheu o papel que tinha
sido jogado quase sem sentimentos. Totalmente agoniada e chorando, a morena
dirigiu-se ao elevador para fechar-se em seu próprio mundo e assim poder pensar
em tudo o que tinha acontecido e nas últimas quarenta e oito horas..
Chegou até a porta do apartamento e abriu, tirou os sapatos e o frio do piso
esfriou seus pés cansados.
Caminhou devagar até o quarto e tirou a roupa, andou nua até o banheiro e
depois de acender a luz, começou a encher a banheira, regulou a temperatura e
esperou que enchesse o suficiente para cobrir seu corpo, agregou alguns sais de
banho e entrou. Argo encostou seu focinho e gemeu. Olhos azuis olharam-na e
uma mão acariciou-lhe a cabeça. Sua mente voou para cenas de dias atrás com as
lembranças da felicidade que tinha sentido e sentia, porque ainda amava a sua
pequena e amaria para sempre.
As lágrimas desceram por seu rosto se misturando com a água que a cobria.
Tinha que recuperá-la, sabia que Andy a amava, só tinha que exclarecer o mal
entendido que Marina tinha causado, produto de seu ciúme doentio. Tinha que
voltar à conquistá-la.
Luciana terminou o banho e vestiu uma roupa e foi comer alguma coisa mas seu
estômago não aceitava nada. Argo chorou e Luciana entendeu a mensagem, pegou
a corrente e às chaves apagou as luzes depois saiu do apartamento.
Quando estava saindo do elevador a porta da casa do zelador se abriu e um nó no
estômago se formou, relaxou ao ver que não era ela, e sim Juan, seus olhos
verdes a fulminaram e se sentiu morta ao ver a rejeição do homem.
Luciana baixou a cabeça e não ocultou sua dor. Amarrou Argo e caminhou até a
porta, Juan não só a viu partir, e também distinguiu a dor naqueles gélidos olhos,
a mesma dor que via nos olhos de sua filha.
Juan voltou pra casa e encontrou sua menina deitada em sua cama abraçada à
almofada e chorando. Aproximou-se e sentou ao seu lado. Pegou a mão de sua
beleza e olhou para aqueles olhinhos angustiados.
- Por que pai, se eu a amava?- o pranto afogado intensificou-se quando Andrea se
encontrou em volta dos braços de seu pai.
- Calma- Juan tentou acalmar a sua filha antes de perguntar a Andy... falou com
ela?... eu acho que te deve uma explicação.
- Não... não quero vê-la
- Andrea eu acho que deveria..
- não, pai...- o interrompeu.
Juan levantou-se e caminhou até o centro da sala deixando-a sozinha em seu
quarto. Com uma mão esfregou a testa e suspirou.
Andrea se virou para a parede e lembranças invadiam sua mente. Brisa subiu em
sua cama e deitou entre seus braços. Lentamente foi adormecendo junto a sua
dona.

A manhã chegou cedo para Luciana. Depois de duchar- se, vestiu uma calça azul e
camisa branca. Pegou suas coisas e as chaves do carro, verificando se o gás e as
luzes estivessem fechado e apagadas, e saiu em seguida.

Pegou seu Corsa e dirigiu-se para a Fundação onde hoje começaria a trabalhar
com pacientes oncológicos.
Logo após Andrea terminar o seu tratamento, recebeu a proposta do Dr. Farías
para integrar sua equipe de auxiliares de doentes oncológicos e ela tinha aceitado.
Seu trabalho seria muito parecido ao realizado com Andrea. Mas desta vez estaria
designada a área infantil.
Estacionou o carro na vaga número dezoito e com uma careta e um suspiro saiu
do carro. Fechou, ativou o alarme e dirigiu-se à entrada do edifício.
O elevador parou no número quatro e caminhou pelo longo corredor até onde se
encontrava a recepção, uma secretária a cumprimentou amavelmente e depois lhe
entregou o seu crachá com seu nome e função e foto.
Luciana pendurou no bolso de seu jaleco branco.
A secretária sorriu e assinalou-lhe a porta a pediatría.
Luciana assentiu e dirigiu-se até a mesma. Bateu na porta e soltou um suspiro
que não pensou sentir. Girou a maçaneta e entrou. Umas quinze cabecinhas
raspadas ou com bonés voltaram-se para olhá-la e um sorriso em cada rosto
refletiu-se ao vê-la. Um sorriso instalou-se em seu rosto e uma preocupação
passou se poderia lidar com isso... mesmo que não pudesse, mas tentaria, isso
não duvidava.
*****
Juan entrou em sua casa depois de ter passado a enceradeira no hall
primeiramente surpreendeu-se por Andrea ainda estar dormindo, olhou o relógio
pendurado na parede e este marcava 10:28 da manhã. Entrou no quarto de sua
filha e suavemente acordou-a.
Andrea piscou várias vezes antes de que suas pupilas se acostumassem à luz do
sol que entrava pela pequena janela. Brisa espreguissou e depois gemeu.
Andy se levantou e queixou-se quando seu corpo doeu por estar na mesma
posição à horas. Juan sentou-se na cama e observou a sua filha. Seu jovem rosto
estava entristecido e seus olhos não apresentavam seu brilho natural. Estavam
apagados.
Notou que sua filha respirou fundo e seus olhos encheram de lágrimas e utilizou
de toda sua força para oculta-las, porém fracassando, pegou sua mão e lhe
ofereceu seu ombro para chorar.

Duas semanas se passaram desde o episódio. As poucas vezes que tinha saído em
nenhuma ocasião tinha encontrado com Luciana. Seu pai tinha-lhe comentado
que tinha começado a trabalhar na clínica e até se alegrou de saber que
trabalhava com crianças com a mesma doença que ela teve. Sabia que Luciana era
boa..
Andrea levantou-se e foi tomar banho, contemplou sua imagem no espelho e
notou olheiras e o rosto cansado. Tirou a camiseta de dormir e observou-se, tinha
emagrecido e isso não era bom, sua pele estava mais seca e seu coração encolheu
quando o medo dominou seus sentidos.
Rapidamente tomou banho e se vestiu. Tomou os remédios e um iogurte, deu
comida para Brisa e se sentou e ficou olhando para o nada.
Sua cabeça estava a mil e um nervossismo invadiram-na, torceu um pano de prato
que segurava e mordeu os lábios..
Outra vez não...

Luciana entrou na área infantil e dirigiu-se lentamente para a sala de oncología,
abriu a porta e um grupo de crianças que estavam estavam brincando se
levantaram e correram para ela. Nestas duas semanas que estava na clínica, tinha
se dado bem com as crianças que variavam em idades de três meses aos quinze
anos. Todos com a mesma cruz sobre os ombros..

Luciana caminhava pelo corredor levando pela mão à pequena Samira, uma
menina de sete anos que tinha um carinho especial . Samira tem olhos castanhos
escuros e um sorriso que derrete qualquer um. É muito sonhadora. Cada dia tem
uma nova história para contar-lhe. Hoje contava-lhe de como uma princesa era
resgatada por um príncipe das mãos de um monstro de três cabeças.
Os olhos azuis olham-na com alegria até chegar em sua cama, agora vamos
esperar sua mamãe e ela pula em seus braços. A toquinha que usava quase caiu e
ela conseguiu pegar e voltou a colocar. Apesar de ser morena seu rostinho ficou
vermelho, a quimio estava fazendo efeito e isso a envergonhava.
Luciana vê a timidez da menina e em seguida uma lembrança chega a sua
mente... na realidade nunca deixou de pensar nela, tudo o que a rodeia a faz
lembrar.
Depois das revisões, Luciana foi pra a cafetería e encontra-se com o Dr. Farías e
juntos sentam-se para almoçar.
- Tem visto a Andrea?
- Não a vi mais...- Luciana baixa os olhos e concentra-se no prato.
- Mas não vivem no mesmo edifício?- o médico olha-a confuso.
- Sim... mas não sai muito de casa... e também estou evitando de me encontrar
com ela.
- Humm, então é isso?- mas se davam tão bem..
- É verdade, mas aconteceu algo que fez ela me odiar.
Luciana terminou seu almoço e despediu-se do médico. Tinha feito bem contar a
seu professor tudo o que sentia por Andrea.
O profissional tinha-lhe aconselhado que falasse com ela e tentasse explicar o que
tinha acontecido na verdade
Tentaria falar com Andrea mesmo que fosse a última conversa entre elas.

Andrea estava sentada no banco de sempre. Tinha levado Brisa na praça, a
cachorra estava brincando com os outros cães e a mente da pequena girava em
torno dos acontecimentos vividos semanas atrás.
Fechou os olhos e passou lentamente a mão pelo cabelo curto e um suspiro saiu
de sua boca misturado com o pranto que tentava conter. Sentiu uma presença e
piscou incrédula ao ver sua morena sentada ao seu lado. Seu primeiro impulso foi
abraçá-la e esquecer tudo... Senhor precisava dela.
Luciana não sabia o que fazer se ficava quieta ou saia correndo, ante o olhar de
rejeição que recebeu por parte de Andrea... odeia-me... olhou-a nos olhos e por
um segundo pareceu-lhe ver uma chama de emoção e necessidade nos olhos
verdes da pequena. Essa mesma emoção que não via a tanto tempo.
Andrea quis se levantar, fazendo reagir à morena. Luciana acomodou-se no banco
e suspirou.
- Olá..
Andrea ficou calada e olhou o sol que lentamente ia se pondo.
- Andrea sei que fui uma estúpida... deveria ter falado contigo... mas tive medo.
A pequena afundou-se mais no assento e bloqueou seus sentimentos, aqueles
que lhe diziam que esquecesse tudo para começar tudo de novo. A voz doce de
Luciana entrava por seus ouvidos e acariciava seu coração.
Já não conseguia resistir.
Luciana tinha-lhe explicado quem era Marina e o significado dos videos e as
cartas. Contou que outros iguais tinha chegado para ela e para a família.
Provocando a rejeição de todos menos de seu irmão Franco que já sabia da
história. Andy surpreendeu-se ao escutar isso e se virou para olha-la. Encontrou
nos olhos da morena lágrimas que ao se fechar desceram por sua bochecha.
Deus.
- Preciso de você, Andy... não sei o que fazer para que volte pra mim.
Andrea esfregou as mãos e deu uma última olhada para Luciana, encontrou-a
mais bela do que nunca e esticou uma mão para lhe acariciar o rosto, mas parou
no meio do caminho e se levantou, foi até a sua cachorra e a pegou caminhou
devagar em direção a sua casa.
Uns penetrantes olhos azuis viram-na afastar-se. Por um momento invadiu-a o
desespero e bateu na madeira do banco. Tomou ar e programou-se para
recuperá-la... amava aquela mulher, o mesmo amor que ela sentia.
*****
Três semanas tinham se passado desde esse encontro. Luciana seguia
trabalhando na clínica e estava tomando café da manhã quando a campainha da
porta tocou. Argo latiu e correu para a entrada.
Juan olhava-a fixo e viu o rastro de lágrimas em seu rosto. O lábio inferior do
homem vibrou e um nome saiu misturado com o choro.
Luciana entrou no apartamento do zelador e encontrou-se com Andrea na cama
totalmente nua, somente uma manta cobria-a, a pequena tremia e falava
incoerências. A morena pegou seu celular e discou um número conhecido.
A voz de uma secretária atendeu-a e pediu falar com o Dr. Farías .
Juan estava na porta e surpreendeu-se quando a morena lhe ordenou que
pegasse o necessário para levar à clínica.
- Quanto tempo que está assim?- perguntou antes de tirar suas conclusões.
- Alguns dias..
- O Que!- gritou Luciana- todo esse tempo não me avisou ou não a levou ao
médico... é uma estupidez de sua parte Juan..
- É que eu...
- Nada... fincou-lhe o olhar e ordenou-lhe que a ajudasse.
O corpo inconsciente de Andrea foi introduzido com cuidado no carro da morena,
enquanto tentava se acalmar um pouco.
Chegou rapidamente à clínica onde uma equipe de médicos a esperavam .
Luciana tentou fazer parte da equipe mas o médico aconselhou-lhe que não o
fizesse... que estava muito nervosa para ajudar.
Sentou-se em um dos bancos com Juan. O homem estava angustiado e esfrega as
mãos, coisa que lhe pareceu conhecido em Andrea. A pequena esfregava e retorcia
as mãos quando estava nervosa, mas de uma vez teve que pegar suas mãos e
verificar se não tinha arrancado a pele provocando o riso da menina.
Encantava-lhe escutá-la rir... era contagioso e deixava o local onde estava mais
alegre.
Duas horas tinham se passado desde que Andrea tinha sido internada. Duas
horas que não sabiam de nada.
A porta abre-se e um grupo de médicos saem, nenhum lhes dão informação de
nada, Luciana se desespera e entra no quarto para se encontrar com a pior
imagem que sua mente recorda.
Na cama encontra-se o amor de sua vida inconciente e com respirador artificial,
para poder ajudar seus debilitados pulmões a oxigenar seu sangue. Várias frascos
de soro com medicamentos e calmantes pendem a seu lado.
Seus olhos enchem-se de lágrimas que derramavam sem restrição alguma.
Lentamente acerca-se à cama e devagar pega sua mão. Não aguenta e cai de
joelhos a seu lado e abraça-a, tentando fazer voltar a si. Descarrega sua fúria e
dor amaldiçoando em silêncio e momentos depois pede ao Senhor para que seu
amor se recupere.
Juan observam-nas e sai em silêncio do quarto.

A luz tênue do amanhecer que entra pela janela bate nos olhos de Luciana que
ainda segurava a mão de Andrea. Não se mexeu desde que entrou e recusou todo
tipo de comida e bebida.
O Dr. Farías entra no quarto e lhe informa o diagnóstico..
Voltou... voltou... voltou...
Essas palavras se repetem em sua mente a toda hora como um sino.
Vamos ter que esperar os medicamentos fazerem o efeito desejado ou teremos
que começar com as terapias mais agressivas.

Fazia numa semana que Andrea estava em coma, desde que fora internada na
clínica tem estado submergida num sono profundo. Sua pele estava escamosa e
resecada. Luciana trouxe um creme hidratante e aplicava lentamente no corpo nu
de seu amor.
Observa as manchas escuras pelo corpo e os ganglios inflamados, agora esta
fazendo quimio e radioterapia . Isso diminuiu o grau de infecção no sangue. Os
glóbulos vermelhos aumentaram e os linfócitos e as plaquetas estão quase boas.
Luciana passa sua mão pelo estômago da pequena e sente os músculos se
contrairem, rapidamente olha para o rosto da pequena e vê as pálpebras se
debatem entre abrir ou se manter fechadas. Não perde tempo e se aproxima do
ouvido da jovem e lhe diz palavras de carinho.. lentamente vão-se abrindo.
*****
A escuridão vai sumindo e dá lugar à clareza, sente o corpo entumecido e algo não
a deixa falar. Um sussurro em seu ouvido faz que preste atenção. A Essa voz...
Lentamente abre os olhos e a luz do dia dá de cheio em suas pupilas... e dói.
Volta a escutar a voz e agora a reconhece. Tenta girar para onde lhe falam mas
não pode... Calma princesinha... Um calor extraordinário sobe por seu estômago e
desaparece repentinamente. Nãooo...

- Andy escuta-me... quando eu contar até três quero que me ajude a tirar o tubo...
entendeu o que tem que fazer?
Um leve consentimento.
Dói-lhe tudo, está cansada e se sente péssima. Não consegue falar e lhe custa
entender o que falam..
Luciana entrou no quarto e encontrou-se com a Andrea meio sentada olhando
para a janela, o céu de inverno estava mais cinza do que de costume. Isto lhe
trouxe velhas lembranças.
Sentou-se na cadeira e esperou.
Meia hora se passou desde que tinha chegado. Andrea virou o pescoço devagar e
concentrou-se no rosto que tinha em sua frente. Milhares de lembranças vieram
em sua mente e reprimiu o choro ao ver-se tão enfraquecida. Queria odiar aquela
mulher e quanto mas tentava menos conseguia. Fechou os olhos por um momento
sentindo as mornas lágrimas descerem por suas bochechas e não soube em que
segundo se viu rodeada por uns fortes braços destruindo as muralhas que tanto
lhe tinha custado levantar para proteger seu coração. Isso era impossível...
porque já não tinha coração.

Ainda não sabe o que a impulsionou a fazer isso, mas não se arrepende... tem-a
de novo entre seus braços e trata de consolá-la e dizer-lhe que tudo ficará bem,
quer lhe fazer entender que o tratamento esta fazendo efeito e que falta muito
pouco para terminar.
Sente a blusa umedecer e acaricia lentamente as costas de sua menina. Não sabe
como a consolar sem que a irrite. Só consegue a acariciar e beijá-la. Vai ficar bem.
O calor de um beijo a fez paralisar. E em seguida rende-se... Andrea não se
importa se a beija com força e se resigna pois era o que estava desejando.
Luciana sentiu os dedos de Andrea fincar na sua blusa quando roçou levemente
seus lábios no rosto dela e amaldiçoou por ter arriscado tanto. Mas não pôde
evitar e voltou a fazer após lhe dizer que tudo ficaria bem. De novo
surpreendeu-se quando o pequeno corpo encostava no seu. Como tantas vezes
tinha feito.
Em ambos rostos se desenhou um leve sorriso e se apertaram uma no abraço da
outra.
*****
O sol entrou pela janela cobrindo com seu calor aqueles dois corpos cansados.
Luciana conseguiu fazer Andrea relaxar e dormir um pouco. Andy em nenhum
momento quis se afastar do corpo de Luciana.
Sentiu como Andrea se queixava ao tentar se virar e via a dor de sua amor.
Seu coração Acelerou ao ver aqueles olhos verdes se abrindo lentamente e se
fixou em seus olhos, não soube interpretar o que viu naquele olhar mas relaxou
ao ver que um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
Sorriu...
Não tirou o olho de Luciana a manhã toda, mal entendia o que os médicos lhe
explicavam. Precisava perder-se naquele olhar, como tinha feito ao acordar. A
razão exigia-lhe que a repudiasse mas seu coração a traia. Tinham ficado
abraçadas por um bom tempo, até que Luciana lhe disse que tinha que ir. Tinha
pacientes para atender. Lembrou que Luciana trabalhava com crianças com
câncer.

Luciana entrou na sala e caminhou entre as crianças que estavam brincando com
um grupo de palhaços que tinham ido visitar a fundação pelo mero fato de aliviar a
dor dos pequenos.
A música de um programa infantil soava de fundo, Luciana se aproximou da cama
de Nair e examinou as conexões em seu pequeno braço, a menina sorriu ao vê-la e
ela se agachou para lhe dar um beijo na testa, em segundos se viu rodeada pelos
braços da pequena. A mãe tinha morrido meses antes em um acidente e sua avó
cuidava dela enquanto o pai trabalhava e também cuidava de seus dois irmãos
mais velhos. Atendeu o resto dos meninos e sentou-se numa cadeira para
desfrutar do espectáculo. Uma gargalhada saiu de seu peito ao ver Mariano, o
enfermeiro dançar junto com uma palhaça imitando os movimentos de uma
brincadeira .
*****
O tratamento agressivo que foi submetida estava funcionando, as análises eram
favoráveis, ainda tinha muitas quimios e rádios para fazer.
Andrea estava na sala de quimioterapia esperando a sua vez, quando a figura de
uma mulher apareceu na porta da sala.
Andy olharam-na com surpresa e sentiu que sua alma se enchia de fúria e
enquanto tentava se acalmar a mulher foi em direção a sua cama.
A princípio não entendeu o que lhe disse, mas quando se obrigou a prestar
atenção pôde descifrar que não era uma visita de cortesía.
Marina tinha burlado a segurança hospitalar vestida com sua roupa de
enfermeira, Há meses que tinha abandonado a carreira.
Acercou-se da cama e fincou seus olhos castanhos em outros de cor verde. Um
sorriso feroz apareceu em seu rosto e ficou a centímetros do rosto da loirinha.
Uma frase, somente uma frase.
Esta morta...
Já era tarde e quase não tinha gente na clínica, os medicamentos eram injetados
por intravenosa e demoraria algumas horas.
Marinha descobriu a hora que não tinha muita gente para atacar e agora estava
disposta a levar a cabo seu plano.
Um lenço tapou sua boca e nariz, e debateu-se, mas estava muito fraca para que o
efeito do éter não agisse de imediato.
Do bolso de sua jaqueta tirou uma seringa e uma ampola, abriu e depois de
encher fincou a agulha no mesmo. O líquido amarelado começou a correr...

Fernanda
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