Palavras ao vento - Cap. 6 ao 9

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Palavras ao vento - Cap. 6 ao 9

Mensagem  Fernanda em Seg Out 19, 2009 6:30 pm

Capítulo 6

Matheus foi com a enfermeira fazer os exames, e Isa ficou esperando-o voltar. Já era quase meio-dia e seu estômago estava dando sinais de fome. “Mari que não chega”, pensava.

- Isa, desculpa a demora, pedi para o meu amado Pedro me trazer e, no caminho o carro parou. Meu idolatrado namorado esqueceu de colocar gasolina. Ainda não sei o que estou fazendo com ele. O sossego chegou ali e parou.

- O Pedro não quis entrar?

- Ele ficou estacionando o carro. Isa como o Matheus está? cadê ele?

- Está fazendo exames. Mari sabe onde eu fui buscar o Matheus? Até parece que Deus está brincando comigo. Não acreditei quando a tal médica abriu a porta de seu apartamento. Por um segundo achei que estava no meio de um pesadelo, mas não era.

- Isabel quem era? Você está me deixando com urticária... rss.

- A namorada da diretora, a mesma com quem discuti ontem. A Julia ou Dra. Julia é a dona dessa clínica e deixou bem claro que estou em dívida com ela. Essa mulher me irrita tanto, é maliciosa, arrogante, pelo menos a médica é diferente da irritante Julia...

- Caramba! Como você disse, o impossível acontece mesmo. Amiga eu nem sei o que pensar. Preciso ver essa mulher que tanto te irrita... miga porque você está em dívida com ela?

- Acho que ela não falou nada para a diretora e agora por ter salvado o Matheus lá na praia. Amiga como vou pagar essa mulher?

- Creio que com dinheiro não será. Amiga acho que ela está te querendo, já que ela é, você sabe... Preciso ver a sua futura amante e, me fala, ela é bonita?

- Eu estou nervosa e você fica com essas besteiras. Já estou irritada demais com tudo isto, e ainda quer saber se ela é bonita? Bom, veja você mesma, é aquela ali, que está conversando com aquele homem.

- Nossa, é ela! Eu a conheço mais ou menos. Nunca nos falamos, mas já a vi muitas vezes lá no Argo's, aquela boate gay que você nunca quis ir me ver cantar. Mari é cantora, apesar de não estar em forma, sua altura 1,73 disfarçava bem os quilinhos extras adquiridos. Vaidosa, desenvolveu seu próprio estilo de se vestir, sempre inovando nas cores de seu cabelo e corte, mas a alguns meses decidiu pelo clássico comprido e negros, realçando assim a cor de seus olhos verdes. Nutria verdadeiro horror a sol, gostava de ser branquela. Aos 23 anos, como tantos, desejava se tornar uma cantora famosa e reconhecida. Ainda não encontrara as pessoas certas que a ajudassem a obter o sucesso almejado, então ia cantando na noite, até que a sorte a favorecesse.

- Isabel do céu, eu não queria estar na sua pele!

- Mariana o que você sabe dela?

- Eu não sei nada, sei apenas que vejo mulheres saindo na mão por causa dela. Teve uma noite, que eu a vi beijando umas 8 mulheres diferentes, e na frente das outras... ela é pegadora, bebe pra caramba. Também já a vi chegar, se sentar numa mesa e ficar sozinha a noite toda. As mulheres chegam nela, e ela manda vazar. Não sei se ela fala isto, é o que eu sei. Mas é uma gata, se eu gostasse de mulher, já teria caído nos braços fortes dela. Isa, Isa, você arrumou para sua cabeça ao discutir com ela.

- Mariana a única coisa que tenho certeza, é que ela não vai me pegar, escolheu a pessoa errada, não vou ceder a nenhuma investida dela, e eu tenho um noivo, que gosta de mim.

Pararam de conversar quando Pedro chegou.

- Pedro o que aconteceu? Você foi esperar construírem um novo estacionamento? Porque você demora tanto para fazer as coisas.

- Mari pára com isto, não vai brigar com ele aqui. Oi, Pedro.

- Oi, disse ele dando um beijo no rosto de Isa. E o Matheus, como está?

- Ainda não sei, a médica o mandou fazer alguns exames, acho que quando ele voltar, ela deve liberá-lo.

Dez minutos depois, Matheus volta com a enfermeira.

- Oi amigo, como você está, que susto que o senhor nos deu?

- Oi, Pedro! Ele foi até o amigo e o abraçou. Agora estou todo picado, tiraram meu sangue todo. Sorriram. Mas e você meu amigo, como está?

- Estou bem, e você vai ficar também.

- Vou sim, devo estar ficando resfriado, não deve ser nada sério. Isa a enfermeira disse que alguns exames ficarão prontos daqui a 2 horas, falou que posso comer alguma coisa. Estou com fome. Vamos comer?

Todos foram para a lanchonete.

Duas horas depois Matheus e Isa estavam no consultório da Dra. Julia, que olhava os exames. Depois de alguns minutos.

- Matheus, um de seus exames de sangue indicou um suposto problema, então quero que segunda-feira você venha cedo para fazermos exames mais específicos, a fim de descobrimos o que você tem de verdade.

- Esse suposto problema, pode ser grave?

- Pode, mas não vamos nos preocupar ainda. Quero que tome esses remédios 3 vezes ao dia. Tome muita água. E descanse. Sua noiva vai ser compreensiva se vocês não puderem namorar.

- Ah! Dra. não se preocupe com isto, nós ainda não temos uma vida sexual, só depois do casamento, minha religião não permite.

Julia tirou os óculos para ver melhor aquele rapaz que não tinha intenção alguma de levar a noiva para cama antes de casar, já ela tinha e muita. Por alguma razão se sentiu uma vadia, provavelmente ele estaria com câncer, e ela pensando em comer a noiva dele.

- Vocês dois ainda são virgens?

- Somos, é claro. Meus amigos acham isso uma loucura, mas quero respeitar a minha Isa. Sempre pensei, porque só a mulher tem que se guardar para o casamento, e porque o homem, não? Não tenho vergonha nenhuma disto, eu a amo tanto, desde molequinho. Quando a vi pela primeira vez, me apaixonei. Foi difícil porque ela me batia o tempo todo, e aos 13 anos eu ainda apanhava dela e em um desses dias, depois de apanhar ela me beijou, foi nosso primeiro beijo. A Isabel é o presente mais precioso que meu senhor pôde me dar. Eu ainda acredito em amor entre homens e mulheres.

Isa ouvia Matheus falando de todo o seu amor por ela, e uma lágrima caiu sem esperar. Sempre que ele declarava o seu amor, ela sentia uma dor em seu coração, porque queria sentir o mesmo amor que ele sentia, na mesma intensidade, mas não sentia. Gostava muito dele, mas o fogo que Mari tanto falava, sentiu uma vez, mas não por ele.

- Eu não acho que Deus possa ter criado seres humanos que gostem do mesmo sexo, não acredito que possa ter amor de verdade neste tipo de relação. Algum dia posso mudar de opinião, mas agora ainda penso assim.

Julia ao ouvir a palavra virgem tinha dado uma olhada maliciosa para Isa, e ao continuar ouvindo Matheus contando sobre seu amor, percebeu que embora fosse um rapaz tão puro, na mesma proporção também era preconceituoso, mas mesmo assim não deixava de ser um rapaz de coração bom.

- Matheus, não vou te esconder, se quiser que eu continue sendo sua médica, vai ter que saber que sou homossexual.

- Nossa, Dra eu podia esperar ouvir qualquer coisa, mas isto. Ele respirou fundo e emudeceu por uns instantes.

As duas se olharam. Isa já sabia da condição de Julia. Ficou surpresa com a revelação para seu noivo, pensou: "Julia lidava tão bem com sua homossexualidade", mas também esconder isto de Matheus seria pior, vai que eu tenha que contar para ele das investidas dela, neste caso ele ficaria mais atento.

Ele fez a cara mais séria que tinha e começou a falar. - Eu não compreendo isto de duas mulheres juntas, mas não posso me limitar ao meu preconceito, e deixar de ver a pessoa que conheci hoje, que me ajudou, que está sendo sincera comigo. Eu quero sim que seja a minha médica, o que você faz fora de seu consultório, não tenho nada com isto. Agora já mais descontraído, falou: só não vai se apaixonar pela minha Isa!

Julia não esperava essa última frase e acabou apenas dando um sorriso sem graça para ele. Por algum motivo que ela não entendia, apesar de ter o conhecido naquela manhã, tinha carinho por ele.

- Então vemo-nos na segunda, bom final de semana para vocês. Isabel foi um prazer te conhecer. E fez questão de estender a mão para Isa.

- É... e estendeu a mão para a Julia, aquele toque de mãos foi como uma descarga elétrica, que a deixou tímida e não pode dizer nada mais, que um rápido tchau.

Julia sentiu o seu corpo dar sinais que não esperava, por que até ali, ela queria só irritar a professorinha. Há muito tempo que não sentia nada parecido.

O sono já havia chegado para Isa, se despediu de Matheus e foi para o seu quarto. Quando deitou a cabeça no travesseiro, começou a pensar na raiva que sentia de Julia, em seu noivo, que podia estar doente, em seu trabalho, que poderia não ter mais quando chegasse na escola. Não confiava em Julia, pensou no que tinha que pagar, tantos pensamentos que a fizeram perder o sono.

Enquanto Isa rolava na cama sem dormir, Julia estava na cama rolando com uma de suas ficantes, e em certo momento, fazendo sexo com Taís, Isabel surgiu em sua mente, não queria pensar naquela loirinha nervosa, mas foi impossível.















Capítulo 7

- Meninas acordem! O sol já está brilhando no horizonte e vocês duas ficam aí dormindo.

- Pelo amor de Deus, Matheus me deixe dormir! Mari odiava ser acordada. Ela cobriu a cabeça e ficou resmungando palavras que ele fingiu não entender.

Isabel abriu os olhos e viu Matheus com duas bandejas com café da manhã para elas. Olhou de novo para ele e viu aquele velho sorriso de felicidade, que sempre tinha quando estava perto dela.

- Bom dia, meu anjinho. A dona Fátima me ajudou a preparar isto para vocês.

- Bom dia, Matheus. Sorriu para ele. Estou surpresa, nunca fizeram isto para mim... Respondeu Isa olhando para a farta bandeja com frutas, suco e pães.

- Que bom que gostou. Mas a sua amiga aí vai ficar sem! Não terá próxima vez para ela, nunca mais faço nada para essa resmungona.

Mari resolveu descobrir a cabeça e ver o que estava acontecendo, já que estavam falando dela. Olhou, viu as duas bandejas e gritou...

- Eu não acredito que você fez isto para mim, nenhum homem me trouxe café da manhã na cama, meu amigo, desculpe meu humor! Deu um pulo da cama, tascou um beijo no rosto de Matheus e correu para o banheiro. Antes de entrar no banheiro parou e disse que adorou a surpresa.

Matheus colocou as bandejas em cima de uma mesinha que tinha no quarto de Mari. Isa ficava com ela quando ele estava lá, e Matheus no quarto dela.

- Meu anjinho, a Mari ficou mais contente do que você. Eu queria te agradar, mas seu rosto mostrou decepção. Matheus ficou um pouco triste.

- Matheus desculpe, você me conhece, não sou de demonstrar muito os meus sentimentos, você e a Mari são mais expressivos do que eu. Mas adorei, pode ter certeza.

- Vou te perdoar porque sei que você é assim. Levanta para comer, sei que você sempre acorda cheia de fome.

- Tem razão, mas vou ao banheiro antes.

Mari voltou e ficou falando e comendo. Logo em seguida Isa se juntou a eles e ficaram conversando até quase a hora do almoço.

Julia acordou às 10 da manhã. Ligou o rádio e estava tocando Dig do Incubus, ouviu até acabar. Então se levantou, deu uma espiada pela janela. O dia estava lindo, o mar calmo e a praia quase lotada. Deu uma boa olhada para um grupo de mulheres, que estavam jogando vôlei de praia, eram boas. Acho que vou descer para ver esse jogo, Julia falou consigo mesma. Que jogo, confessa que você quer ver aqueles corpos bronzeados e perfeitos daquelas minas... Julia acabou rindo de seu próprio pensamento.

Julia já tinha tomado banho e se vestido. Resolveu não descer para ver o jogo, preferiu ir logo para a casa de Vanessa, pois tinha tanto o que falar com a amiga. Antes de sair resolveu ouvir seus recados.

O primeiro recado dizia: - Juli venha almoçar aqui em casa, prometo não chegar perto da cozinha. O Carlos reencontrou um amigo, e o convidou para vir aqui em casa, parece que vem a namorada do amigo e mais uma amiga deles, quem sabe você tem sorte com essa amiga... rsss. Juli você sabe que fico tímida com gente que não conheço, preciso de você aqui.

- Não sei porque ela me convida, se faz anos que todos os domingos eu almoço lá... Será que minha amiga ainda não notou isto... Falou para si mesma.

O segundo recado, a fez sorrir: - Julia qualquer dia terei que te amarrar na cama para não fugir no meio da noite. Ju você estava demais! Desse jeito eu acabo me apaixonando por você.

Quando ia ouvir mais um recado a campainha tocou. Não olhou antes de abrir pensando ser Vanessa vindo buscá-la. Julia abriu a porta e ficou paralisada.

- Oi, baby!

- O que você está fazendo aqui?

- Baby, você já foi mais educada! E entrou sem pedir licença.

- Eu só sou educada com quem merece. Hérica o que você quer aqui?

- Eu quero você. Eu estava com saudade. Comecei a sentir falta da minha casa e da minha mulher. Espero que você não tenha colocado nenhuma vagaba na minha cama.

Julia apesar de tudo nunca levou mulher nenhuma para seu ap depois que Hérica foi embora.

- Sabe quanto tempo você sumiu sem me dar explicação?!? 2 anos. Tem noção de quanto eu te procurei, o quanto sofri? Você me deixou no meio da noite como uma qualquer. Não! Você não sabe. Quando me dei conta que você não ia voltar mais, te odiei tanto... eu te dei o meu coração, dei tudo o que você queria, e foi embora depois de termos feito amor, depois de você ter feito vários planos para nós, coisas que eu acreditei, sonhos seus, que eu comecei a sonhar junto. Estávamos juntas a 3 anos e meio e eu não merecia ser largada sem ao menos saber o porque. E agora você chega aqui, dizendo que está voltando para mim? A minha vontade é de te matar... e foi para cima de Hérica, agarrou em seu pescoço e começou a apertar.

Hérica é quase do seu tamanho, uma mulher muito bonita, cabelos compridos e loiros, olhos castanhos claros, pele queimada do sol, estava do mesmo jeito que quando Julia a viu pela última vez, essa mulher provocava sentimentos indescritíveis nela.

Hérica estava ficando sem ar, tentava falar, mas a voz não saia, estava ficando cianótica, quando Julia a soltou e esta foi escorregando pela parede até chegar no chão.

Julia ficou de pé com a cabeça encostada na parede e, chorando começou a falar: Eu quase te matei, quase estraguei minha vida, por sua causa, sua vagabunda, desgraçada, que me transformou numa vadia igual a você!

Hérica foi se arrastando até chegar em Julia, que chorava copiosamente.

Ao sentir o toque de Hérica em sua perna, foi amolecendo e acabou sentando no chão. Hérica começou a secar suas lágrimas com seus dedos longos e finos. Foi se aproximando do rosto de Julia e começou a beijá-lo. Quando ia beijar a sua boca, sentindo-a em suas mãos de novo, o telefone tocou, salvando Julia das garras de Hérica.

- Que droga, disse Hérica! Baby, não atende. Vamos conversar... Deve ser aquela chata da Vanessa, pensou.

Julia deu um pulo e saiu procurando o telefone.

- Alô... disse Julia. Sua voz revelava que estava chorando.

- Julia que voz é essa? Está chorando? O que foi? Perguntou a amiga.

- Estou chorando de raiva, já estou indo para sua casa, se eu ficar aqui não vou agüentar...

- Venha com calma. Beijo.

- Beijo.

Julia ficou procurando a chave do carro e os documentos para sair.

- Eu vou sair. Falou Julia, bem irritada.

- Eu vou com você!

- Que parte você não entendeu? Não te quero na minha vida, você não vai comigo a lugar nenhum. Fique bem longe de mim, porque sou capaz de te machucar.

- Baby, quando você voltar estarei aqui. Estou muito cansada para ficar discutindo com você. Disse Hérica, se achando a dona da casa.

- Se você estiver aqui quando eu voltar, chamo a polícia para te arrancar daqui a força.

- Esqueceu baby, que compramos juntas este apartamento, nossos nomes estão na escritura, ou seja metade dele é meu. Vai logo amorzinho, contar que eu voltei para a sua amiguinha. Não sei como você agüenta aquela chata da Vanessa. Vou dar uma relaxada, mais tarde vou te buscar. Disse e foi em direção ao quarto de Julia.

Julia saiu dali bufando de ódio, não sabia o que fazer.

Na casa de Vanessa

- O que aconteceu com a Julia? Perguntou o marido de Vanessa.

- Eu não sei, Carlos. Ela estava chorando. Faz muito tempo que não vejo a Juli chorar. A última vez foi quando aquela ordinária da Hérica a deixou. Aquela mulher é um castigo na vida de qualquer um e a Julia ficava outra pessoa perto dela.

A campainha tocou...

- Carlos deve ser o seu amigo.

- Acho que é! E foi abrir a porta todo feliz.

Vanessa foi atrás dele para conhecer as pessoas.

- Oi, Pedro, pensei que vocês não viriam.

- É que nos perdemos. Deixa eu te apresentar, essa é a Mariana minha namorada, Isabel e Matheus nossos amigos.

- Deixa eu apresentar minha família, essa é minha esposa Vanessa, meu amor, cadê o nosso filhote?

- Deve estar brincando lá fora.

Todos se cumprimentaram e se sentaram um pouco na sala para conversar enquanto Carlos servia umas bebidas para o pessoal.

- Meninas vamos para a cozinha, deixa-os colocarem o papo em dia.

- Vanessa sua casa é muito bonita, falou Mari.

- Obrigada, a minha amiga me ajudou a decorar. Ela tem bom gosto. Se deixasse para mim, nem sei como seria a minha casa... rss.

Julio entrou correndo e parou quando viu a sua professora, coçou os olhinhos azuis, pensando estar imaginando coisas. O espanto foi para Isabel também.

- Meninas esse é o meu filhinho, Julio.

Julio ao ver que Isabel era de verdade e estava ali, falou: oi tia Isabel e saiu correndo...

- Eu não acredito no que está acontecendo, falou. Aquela mulher não era a mãe do Julio, porque ficou me deixando pensar que era, é uma cretina mesmo, pensou.

As duas olharam para Isa sem entender.

- Eu sou a nova professora do Julio.

Agora foi a vez das duas se sentarem.

- Então você é a Isabel que...

- Que discutiu com sua amiga. Então, o Julio é seu filho e não dela.

- Isabel nem sei o que dizer disto tudo. Como de repente, vocês entraram uma na vida da outra do nada?

- Nem eu sei o que pensar disso tudo. Respondeu Isa.

- Eu estou boba. Disse Mari.

- Eu também. E o mais estranho é que nos encontramos por intermédio de outras pessoas, começou com o Julio, depois com o Matheus.

- E hoje vai ser aqui em casa, porque a Julia está vindo para cá.

Isa deu uma olhada para Mariana, que já sabia o que aquele olhar significava, e pensou, hoje vai ser um longo dia.

O telefone tocou.

- Alô...

- Vanessa a Julia já chegou em sua casa?

- Eu não acredito que você voltou para atormentar a vida da Julia. É por sua causa que ela estava chorando.

- Dá para você me responder o que eu perguntei, não me interessa o que pensa de mim.

- Você continua a mesma cretina de sempre. Não vou responder nada para você. E desligou o telefone na cara da Hérica.

Neste instante Carlos entra na cozinha para pegar a carne, porque ia ter churrasco para o almoço.

- Carlos você sabe quem voltou?

- Eu nem imagino.

- A Hérica

- Você está brincando?!

- Eu não ia brincar com isto, aquela coisa voltou para acabar com a Juli. Acabou de ligar perguntando dela.

- E agora?

- Não sei. Respondeu Vanessa, preocupada.

Mariana e Isabel pediram licença e foram encontrar seus namorados. E no caminho Julio a parou.

- Tia Isabel, a minha madrinha mandou te entregar isto na escola, mas como você está aqui em casa, acho que é a mesma coisa... então ele entregou o pequeno envelope.

Isabel abriu o envelope já esperando algum absurdo.

“Isabel eu não sou de pedir desculpa, mas estou. Desculpa. Eu abusei do horário, se soubesse que era o seu primeiro dia, não teria feito. E não se preocupe não direi nada a Adriana. E o Julio não é meu filho é meu afilhado.”

Espero que me perdoe.

Julia

- O que é isso? Perguntou Mari toda curiosa.

Isa entregou o bilhete para sua amiga e começou a pensar que talvez estivesse exagerando a respeito de Julia, e que poderia não ser o mostro que estava achando. Tinha pedido desculpa, ajudou o Matheus... Também não deixei ela se explicar direito na sexta-feira, e achei que fosse a mãe do menino, só porque estava com ele... acho que não vai cobrar nada de mim, é só para me irritar, ela tem alguém, e fica brincando comigo, porque viu que eu fico nervosa... pelo que vi dos amigos dela, tão preocupados... se ela fosse tão... não sei que adjetivo usar.

- Isa eu a achei bem sincera.

- Foi e eu não esperava. Isa estava confusa.

Pedro e Matheus não estavam mais na sala onde os deixaram. Olharam pelas enormes janelas e viram os rapazes do lado de fora conversando perto da piscina e foram até eles.

- Ela está vindo, Isa. Será que não seria melhor nós irmos embora? Perguntou Mariana.

- Até seria, mas olha a felicidade do Pedro! Vamos dar mais um tempo aqui.

- Tá, se quer assim. Falou e foi ficar com o namorado.

- Matheus você está bem? Perguntou Isa, achando ele um pouco pálido.

- Estou, só um pouco cansado. E você gostou da mulher do Carlos?

- Gostei, ela é muito simpática, nos tratou muito bem. Sabe a dra Julia é amiga e comadre do casal.

- Nossa que coincidência, ou talvez não, o nosso senhor sempre faz as coisas certas. Talvez vocês se entendam hoje. Eu percebi ontem que você não gostou muito da Julia.

- Você me conhece mesmo. Então se sentou na frente dele e apoiou as costas nele que a abraçou e lhe deu um beijo na cabeça. Matheus era tão carinhoso, mesmo que não o amasse do mesmo jeito o carinho supria em muito a falta do amor, e assim iam vivendo.

A carne já começava a cheirar. Mariana estava cuidando do som, Pedro e Carlos conversavam perto da churrasqueira, Matheus foi brincar com o Julio e Vanessa falava no telefone com ar preocupado. E eu estava esperando a Julia, sem me dar conta.













Capítulo 8

Julia chegou e não desceu do carro, ficou decidindo se entrava ou não. Pensou no que tinha acontecido, não sentia vontade de entrar até que deu uma olhada no jardim e viu Isabel brincando de bola com Julio. Achou que estava vendo demais. Fechou os olhos e os abriu e Isabel continuava lá. O que ela estava fazendo ali, será que ela é a amiga da namorada do amigo do Carlos, que a Vanessa comentou que viria? Estava confusa. Porque estava encontrando tanto com essa garota, porque a Hérica voltou? Depois que encontrei aquela tal poesia na praia, e hoje está fazendo todo o sentido para mim, se lembrou de uma estrofe “Acordo perdida, no escuro, apertada. Ainda estou presa, acorrentada. Me lembro da luz, do espaço. Do vento que entrava pela janela. Foi um sonho...” Não é sonho. A Hérica voltou e Isabel está bem ali. Não tinha idéia para onde sua vida estava se encaminhando. Naquele momento a única certeza que tinha era que precisava entrar.

Julia entrou e foi atrás de Vanessa, Julio quando a viu saiu correndo para abraçar a madrinha.

- Dinda você demorou tanto, falou já no colo de Julia, a minha professora está aqui e eu dei aquele papel que você me mandou dar para ela.

- Você entregou. Tudo bem, meu amor. E encheu o menino de beijos. E o colocou no chão.

- Você demorou! Deu um abraço na amiga. Como você está? Já sei que aquela coisa voltou. Ligou aqui para saber se você já tinha chegado.

- Van eu quase a matei. Isto me assustou, porque cheguei muito perto de o fazer, e começou a chorar novamente no ombro da amiga. Porque ela voltou, Van? Ela desperta tudo de ruim em mim. Eu não quero mais. Ela voltou como se tivesse ido à praia.

- Oh, minha amiga, ainda bem que não a matou. Imagina eu tendo que ir te visitar na cadeia, passar por aquela revista danada. Vi uma reportagem na tv e aquilo é traumático. Nem pense nisto porque eu não vou. To muito velha para isto.

Vanessa tinha 38 anos, olhos e cabelos castanhos escuros e lisos até abaixo dos ombros. Embora fosse gordinha, não ligava, se sentia bem assim e seu marido não reclamava. Não era a personificação da beleza, mas possuía uma sensualidade invejável. Van era filha de uma empregada dos pais de Julia, cresceram juntas, e mesmo sendo 5 anos mais velha, a amizade entre as duas se consolidou. Éa irmã que Julia não teve.

- Van eu to falando sério e você me vem com isto. Traga-me algo para beber... esqueceu que Carlos e Vanessa tinham convidados.

- Juli como você está? E a abraçou. Já sabemos quem voltou.

- Não estou nada bem, Carlão. O pesadelo da minha vida voltou. Não sei o que fazer com ela, disse que tem direito de ficar lá em casa.

- Ela some por mais de dois anos e acha que têm direitos? Amanhã você conversa com seus advogados e com certeza eles saberão o que fazer. Pelo menos ela falou onde estava, porque foi embora?

- Não! Nenhuma explicação.

- Então, não tem que ser boa para ela, disse seu amigo. Juli vêm conhecer meus amigos.

- Já conheço todos. Eu os conheci ontem. Tudo bem pessoal.

- Como se conheceram?

- Eles te contam, preciso de uma bebida. E entrou na casa. Ficou lá sozinha por muito tempo, não quis nem a companhia de sua amiga.

- Tia Isa sabe que eu estou muito feliz de você estar aqui em casa. Quer conhecer o meu quarto?

- Eu não sei, sua mãe pode não gostar.

- Pode ir, ele adora mostrar o quarto para as pessoas que gosta.

- Então eu aceito o seu convite, Julio. Ele agarrou a mão dela e entraram.

Isa entrou e sutilmente ficou procurando Julia. Nem sinal dela, pelo menos, na sala não estava.

Subiram as escadas e o terceiro quarto era o do menino. Ele abriu a porta e Julia estava lá, sentada no chão com uma garrafa de cerveja do lado, muito triste. Isa sentiu-se tocada ao vê-la sozinha. Sentiu algo que até então não sentira por ela. O único sentimento que nutria desde que se conheceram foi a raiva, mas seu coração por uma razão maluca queria de alguma forma proteger aquela mulher, queria poder fazê-la parar de sentir aquela dor. A história, os detalhes daquela tristeza, não conhecia, sabia apenas que se chamava Hérica.

- Dinda eu trouxe a tia Isa para conhecer o meu quarto.

Julia desviou os olhos do menino e olhou direto nos olhos de Isabel que ainda estava de pé na porta com seus pensamentos.

- Entra Isabel. Por alguma razão se lembrou das palavras de seu irmão “Abra seu coração para o amor”. Sentiu medo dessas palavras. Pensou, será que meu irmão falou isto para eu dar mais uma chance para a Hérica. Estava tão confusa. E Isabel começava a fazer parte da confusão que estava a sua vida.

Isa entrou e logo foi puxada por Julio para ver sua coleção de carrinhos. O quarto era decorado com os personagens dos Jovens Titãs. Mostrou sua coleção de gibis, que havia ganhado de Julia. De vez em quando ela dava uma olhada para Julia, que continuava de cabeça baixa, com o olhar perdido em um ponto qualquer do chão, e sem poder fazer nada voltava a sua atenção para as coisas do menino.

- Tia Isa você gostou do meu quarto? Foi minha dinda que arrumou tudo para mim.

- Eu adorei o seu quarto! Vou te contar um segredo, também gosto dos Jovens Titãs, eu gosto da Ravena.

- Eu gosto do Mutano porque ele pode se transformar em qualquer animal que quiser. Queria ser como ele e virar um pássaro e sair voando quando minha mãe me faz comer verduras que eu odeio, mas se eu não comer ela diz que não vou crescer. E eu quero ser grande como o meu pai e minha dinda.

Julio ao se referir a dinda olha para ela, que ainda está imóvel ali sentada, olhando para o nada, e segurando a mão de Isabel a levou para sentar-se perto de Julia ali no chão. Ficou no meio das duas. Segurou na mão de sua madrinha também. A mãozinha dele estava quente. Naquele momento ele era o elo entre as duas. E ficaram os três em silêncio por alguns instantes.

- Tia Isa você ainda está brava com a minha madrinha?

A pergunta do menino acabou despertando a curiosidade de Julia, que levantou a cabeça e olhou para Isabel. Seus olhos azuis ainda mostravam tristeza, mas queria saber a resposta da professora.

Respirou fundo, encarou aqueles pequeninos olhos azuis do menino e disse: Eu não estou mais brava com ela. Em seguida olhou para Julia dizendo: Eu não estou mais brava com você!

Pela primeira vez naquele dia viu um sorriso lindo aparecer naquele rosto triste. Sentiu-se feliz por tê-la feito sorrir por um momento e sorriu de volta. Desviou o olhar em seguida porque ficou com vergonha de estar olhando-a de uma forma, que ela tinha medo.

Então o menino pegou as mãos delas, a de Julia colocando-a em cima de sua perna e depois a de Isa em cima da dela. Sem perceber Isa segurou a mão de Julia e o menino falou:

- Eu quero que vocês sejam amigas.

Julia ainda sentindo o calor daquela mão quente e macia sobre a sua, olhou para a Isa e perguntou:

- Você quer ser minha amiga?

Isa olhou para ela e respondeu. - Eu quero ser sua amiga.

Julio ficou radiante e as duas se olhando. Uma lágrima escapou dos olhos de Julia, que Isa secou com a palma de sua mão. Um sentimento novo estava nascendo naquele momento e ambas não sabiam, onde isso poderia chegar. O som de uma voz conhecida de Julia, as despertaram daquele instante mágico. Olharam para aquela figura que estava na porta com ódio no olhar e um sorriso sarcástico nos lábios.













Capítulo 9

- Que ceninha tocante! Quase chorei.

- O que você está fazendo aqui?

- Baby, eu falei que vinha te buscar. Mas acho que cheguei numa péssima hora para vocês. Quanto a mim: cheguei na hora de ver a namoradinha capturando uma lágrima perdida de sua amante. Baby ainda chorando por mim? Acho que temos coisas muito mais prazerosas para fazermos em casa, do que você ficar chorando nos braços dessa loirinha sem graça. Queridinha pode ir embora, porque a sua amante tem mulher. Ainda bem que estou calma, porque com certeza você iria levar uma surra daquelas.

Isabel se levantou num impulso de raiva, e ficou frente a frente com Hérica.

- Quem você pensa que é para falar assim comigo, não tenho medo de você, quer brigar, venha. Não tenho medo de medrosas como você, que tenta impor medo nas pessoas para esconder sua covardia. Eu não sei o que a Julia viu ou vê em você, bom acho que sei, olhando para você, só tem beleza, mas o conteúdo é podre. Acho que você está um pouco atrasada, já ouviu falar que a fila anda? Então a da Julia andou, meu bem.

Julio ao ver que elas iam brigar saiu correndo e foi chamar a mãe.

- Andou para o seu lado queridinha? Eu duvido muito! Hérica chegou mais perto de Isa e a olhou de cima a baixo.

- Julia gosta de mulheres gostosas como eu, e não de uma baixinha, sem graça e irritante como você...

- Hérica você ouviu a Isa, se manda. Estamos juntas e isso não vai mudar porque você voltou.

- Queridinha as coisas lá em casa são bem diferentes do que a sua preciosa Julia está falando. Ela não é fiel, nunca foi e nunca será.

- Eu confio nela. Disse Isa tentando ser bem convincente. - Que pena desapontar você, mas tenho tudo que ela precisa, ou melhor, dou tudo o que ela precisa. Ela deu uma risadinha, para Hérica, que já estava vermelha de ódio.

Isa começou a pensar: Estava fazendo algo que com certeza ia se arrepender depois, seu noivo estava lá em baixo, como ia explicar isso a ele, que estava se passando por namorada de Julia. Brigando com uma mulher estranha, o que estava acontecendo com ela? E nem sabia se estava fazendo o certo, será que Julia queria isto?

- Eu não estou acreditando nesta sua história.

- Não precisamos que você acredite em nada. Eu apenas não quero mais você na minha vida. Eu estou com a Isa.

- Eu estou com a Isa! Eu estou com a Julia! Hérica repetiu as palavras delas. - Isto é papo furado de vocês. - Eu posso dizer que estou com vocês duas! Não há diferença, porque as duas são tão estranhas uma para outra, como eu sou para você, queridinha.

- Julia vamos provar para ela que não estamos mentindo. Sei que não precisávamos fazer isto, mas já que ela insiste deve gostar de ver... me beija...

Julia, não podia revelar que sua surpresa talvez tenha sido maior, do que para a própria Isabel, Hérica esperava qualquer coisa. Isa parecia estar segura do que estava pedindo. Julia poucas vezes ficou nervosa diante de uma mulher. Começou a pensar porque ela está fazendo isto, se fui tão cachorra com ela, desde que a conheci. Eu só queria levá-la para cama. E agora estou aqui tendo que tomar uma decisão se a beijo ou não?

Olhou para Isabel, pegou em sua mão, lhe abraçou e deu um beijo em sua testa. Se afastou e começou a falar para ela:

- Isabel não posso fazer isto. Sei que está tentando me ajudar, pode ter certeza que não vou esquecer deste seu gesto, que sabemos que não mereço, e mesmo que nos beijássemos, ela não iria acreditar e depois quando você parasse para pensar iria se arrepender de ter feito isto, e não quero, que sinta-se mal por minha causa. Hoje eu vou fazer a coisa certa.

- Nem amigas são, eu ouvi aquela ceninha patética das duas. Quer ser minha amiga! Só posso rir de tanta besteira.

- Você tem razão, estamos mentindo. Mal nos conhecemos e já fui uma idiota com ela. Tem princípios e perto dela somos umas perdidas movidas apenas pelo desejo. Até ontem eu só queria levá-la para cama, para saciar meu desejo e agora estou sentindo vergonha de mim, porque mesmo ela sabendo disto, quis me ajudar. Ela tem um noivo que está lá embaixo, e quis me ajudar e mesmo que nos beijássemos ela não perderia sua dignidade. Não teria feito porque sente algo por mim, e sim porque tem bom coração.

Vanessa e a Mariana chegam.

- Está tudo bem aqui?

- Está. Desculpa Van, já estamos indo.

- Julia! chamou Isa. Quando ela estava indo embora.

Julia virou-se, olhou para Isa e a calou com seus dedos. Balançou a cabeça dizendo que não precisava dizer nada. Pediu desculpa e então se foi levando Hérica junto. E Isa ficou com um obrigado aprisionado na garganta.

Fernanda
Admin

Mensagens : 23
Data de inscrição : 09/10/2009
Localização : São Paulo

Ver perfil do usuário http://xenafictions.forumeiros.com - http://xenafictions.50megs.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum